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sexta-feira, 20 de junho de 2014

Consulado Geral da Ucrânia






Esquerda Marxista e o PCB (Partido Comunista Brasileiro) realizaram em 17/06/2014, um ato em frente ao Consulado Geral da Ucrânia, em São Paulo, contra os ataques fascistas na Ucrânia e a junta de governo reacionária. A atividade responde a um chamado internacional feito pela CMI (Corrente Marxista Internacional) por solidariedade antifascista aos trabalhadores ucranianos e suas organizações.

Também atenderam ao chamado, militantes das organizações de esquerda “Unidade Vermelha” e “Reconstrução Comunista”, além de ativistas da campanha “Público, Gratuito e Para Todos: Transporte, Saúde, Educação! Abaixo a Repressão!”, em especial dos Comitês de Luta do IA-Unesp e ETEC Franco da Rocha.

Por volta das 10 horas da manhã, os primeiros manifestantes começaram a chegar no local. O Consulado fica num conjunto comercial, no alto de um edifício de escritórios em Moema, bairro rico da cidade. Dois companheiros foram até a recepção do edifício dizendo que queriam ir ao Consulado. A recepcionista de pronto disse que o Cônsul havia saído, não estava, e que só seriam recebidos com agendamento prévio.

Continuaram chegando manifestantes para o ato, e quando se reuniram ali na frente algumas dezenas, o Cônsul Geral Oleksandr Volodymyrovych Markov, que haviam informado que não estava, apareceu na porta e, à distância, bradou: “O que vocês querem aqui?”

Dois companheiros se aproximaram e explicaram que gostariam de entregar uma carta e registrar o ato de entrega, fotografando. O Cônsul, com uma postura desconfiada, contesta: “Mas vocês são ucranianos?”, “Carta sobre o que?”. Os companheiros responderam: “Somos todos brasileiros e estamos preocupados com o que se passa na Ucrânia.” E o Cônsul ainda retruca: “Mas vocês nos apoiam contra o Império Russo?”. E os companheiros: “Não apoiamos nem o Governo Russo e nem a União Europeia! Defendemos os direitos democráticos e de autodeterminação do povo ucraniano!”.

Então o Cônsul aceita receber a carta (abaixo), mas se recusa a ser fotografado recebendo o documento. Em seguida chama os dois companheiros que entregaram a carta para entrar no prédio. Entram com ele Caio Dezorzi (Esquerda Marxista) e Edmilson Costa (PCB). Na recepção do prédio, o Cônsul passa os olhos na primeira página da carta e seu tom de desconfiança muda para hostilidade. Pergunta ao companheiro Caio qual organização ele representa. Quando ouve “Esquerda Marxista” de pronto retruca: “Eu sou anti-marxista!”. Sequer permite continuar a conversa, diz que entregará a carta ao governo ucraniano e se retira para o interior do prédio. Parecia bastante nervoso e com medo.

Na porta, os manifestantes empunham cartazes, bandeiras e entoam palavras de ordem antifascistas (ver fotos).

Uma viatura com soldados, sargentos e mais dois oficiais, tenentes, da PM acompanharam todo o desenvolvimento do ato. Perguntados pelos companheiros da Esquerda Marxista se havia sido o Cônsul que os tinha acionado, eles disseram que não, mas que o ato havia sido divulgado na internet e receberam ordens para averiguar.

Ao final do ato, Esquerda Marxista e PCB acertaram de realizar uma atividade pública conjunta no próximo dia 25/06 às 19h no auditório da Livraria Marxista sobre a conjuntura ucraniana e internacional.



Abaixo segue a carta entregue ao Cônsul:



Ao senhor Oleksandr Volodymyrovych Markov

Cônsul-Chefe, Cônsul Geral Interino do Consulado Geral da Ucrânia em São Paulo

Para fazer chegar às mãos do Senhor Petro Poroshenko, presidente da Ucrânia

Em solidariedade à luta antifascista na Ucrânia



Estamos nesta data presentes neste Consulado, na cidade de São Paulo, para transmitir-lhes nossa mensagem de solidariedade aos trabalhadores e ao povo Ucraniano que estão sendo vitimados por desumanos e violentos ataques desferidos por militares das tropas do governo e paramilitares fascistas que atuam em conjunto e sob proteção dos que estão instalados no poder.

Desde maio, uma trágica situação se desenvolve na Ucrânia. Bandos paramilitares fascistas integrados ao Estado ou diretamente financiados pelas oligarquias, estão realizando ações de “terror branco” contra qualquer um que se oponha ao governo de Kiev.

No dia 20 de maio, bandos fascistas paramilitares tentaram sequestrar dirigentes do Borotba, tradicional organização de esquerda da Ucrânia, após uma manifestação popular contra o governo. Esta ação realizada em praça pública e à luz do dia só não conseguiu seu objetivo porque os fascistas foram impedidos pelos participantes da manifestação. Muitos dos dirigentes e militantes do Borotba, diante das constantes ameaças e risco de vida, foram obrigados a entrar para a clandestinidade para se defender e prosseguir suas lutas.

Dias antes, no dia 16 de maio, a sede do Partido Comunista em Kiev foi invadida, livros, bandeiras e materiais foram queimados. Ao mesmo também foram iniciados trâmites para proibir o Partido Comunista que obteve 2,7 milhões de votos na última eleição. Operações de guerra, qualificadas despudoradamente de antiterrorista continuam sendo realizadas contra as províncias de Donetsk y Lugansk que, pela vontade soberana de seu povo decidiram se separar da Ucrânia.

A Esquerda Marxista, seção brasileira da Corrente Marxista Internacional, dirige-se ao senhor Oleksandr Volodymyrovych Markov, para externar nossos protestos frente aos ataques fascistas contra os que lutam por sua liberdade e pelos direitos democráticos mais elementares, tais como os de expressão e organização.

Nos somamos aos milhares de ativistas que em todo o mundo lutam em solidariedade aos antifascistas ucranianos e contra o governo. Exigimos o fim das operações de guerra contra seu povo.

Nos somamos aos que, em todo o mundo, lutam para pôr fim ao governo de Kiev.

Que cessem as perseguições e ataques ao Borotba e ao Partido Comunista da Ucrânia bem como todos os ataques aos direitos democráticos na Ucrânia! A solidariedade internacional entre os trabalhadores derrotará o fascismo na Ucrânia e em todo o mundo!












FONTE: http://www.marxismo.org.br/

Sobre os Black Blocs














Todos já se acostumaram a ver os mascarados nas manifestações. Alguns deles estão em qualquer manifestação de massa se reivindicando do movimento Black Blocs. Vestidos de preto, usando máscaras contra gás e prestes a revidarem a violência policial, os Black Blocs parecem personagens de filmes de ficção científica. Eles formam uma “comissão de frente” em muitas das recentes manifestações no Rio e em São Paulo e estão sempre prontos a enfrentar a repressão policial. O que parecia ser uma provocação policial acabou se revelando um movimento de jovens rebeldes contra o sistema capitalista, com uma pretensa ideologia anarquista e que descarregam a sua fúria não só contra a violência policial, mas também sobre os preciosos ícones do capitalismo: agências bancárias, carros, etc.

No dia 7 de setembro, Dia da Independência, ocorreram manifestações de protesto em todo o país: Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e outras cidades. Mais uma vez a repressão policial atacou os manifestantes, com bombas tiros e prisões em massa. A falsa “democracia” brasileira vai aos poucos mostrando o seu caráter, a face autoritária do Estado capitalista. Dois dias antes, líderes do Black Blocs foram presos no Rio de Janeiro. A repressão não intimidou e o movimento dos Black Blocs foi à rua novamente.

No dia 5 de setembro passado, os jornais anunciaram a prisão de membros do grupo dos Black Blocs efetuada pela polícia do Rio e mais a identificação de umas 20 pessoas ligadas ao movimento. A onda de repressão contra os Black Blocs começou com a prisão dos administradores da página do movimento no facebook e pretende atingir todo o movimento. A ordem veio direta do gabinete do governador Sergio Cabral como retaliação e vingança pelo fato de ser o alvo das manifestações do Rio. O governador vem sendo acusado pelos manifestantes de prática de prevaricação em favor dos interesses dos grandes grupos capitalistas instalados no Rio, como o grupo do empresário Eike Batista e a Construtora Delta, esta envolvida em processos de corrupção no caso Carlinhos Cachoeira.

Sergio Cabral se distinguiu, junto com o governador de São Paulo, por adotar táticas de repressão policial contra as manifestações nos mesmos moldes das utilizadas na época da ditadura militar. Hoje o PMDB no Rio, o partido de Sergio Cabral, está em um processo de desgaste junto à população, tanto no governo como na prefeitura, como ilustra bem o caso da CPI dos transportes municipais do Rio onde os vereadores peemedebistas querem blindar qualquer investigação séria sobre a corrupção do transporte coletivo na cidade.

A prisão dos Black Blocs ocorre em um momento em que o PMDB no Rio quer sair do desgaste passando a criar “bodes expiatórios” para os atos chamados de “vandalismo” das manifestações e, ao mesmo tempo, impor uma ameaça contra toda e qualquer protesto de rua. Não há por parte do governo de Sergio Cabral, apoiado pelo governo Dilma, qualquer iniciativa para atender realmente as reivindicações populares, e se amplia o trabalho repressivo contra os movimentos.

Assim, estamos assistindo, com a prisão dos jovens do Black Blocs, a mais um processo no qual movimentos são incriminados pela política e processados judicialmente por “formação de quadrilha”. Assim foi com o processo do mensalão julgado pelo STF sem prova alguma contra os dirigentes do PT, assim foi com os estudantes da USP também acusados de “formação de quadrilha”, da mesma forma a ameaça paira sobre a CUT. Os líderes da burguesia pressionam a justiça, que é a justiça do Estado capitalista a serviço da burguesia, para criminalizar os movimentos populares. É a resposta que a burguesia brasileira, incapaz de atender qualquer demanda popular, por mais insignificante que seja, tenta dar à grande inquietação popular que vem ocorrendo em todo o Brasil nos últimos meses. A grande imprensa capitalista vem exigindo isso, diariamente, em todos os jornais e em todas as redes de televisão. É nesse contexto que ocorre a prisão dos membros do Black Blocs no Rio. É mais uma etapa de “criminalizar” como “quadrilha” todos os movimentos sociais contestatórios.

Os marxistas repudiam duramente a repressão contra todo e qualquer movimento social, de base popular, independente da sua cor política ou de suas propostas. É uma agressão às liberdades democráticas. A prisão dos membros do Black Blocs deve ser denunciada e exigida a sua libertação imediata, apesar de discordarmos profundamente desses métodos de fazer política que nada ajudam os trabalhadores a se organizarem e a desenvolverem uma consciência de classe. E se torna mais criminosa ainda essa repressão ser executada a mando de um governador ligado à corrupção organizada no estado do Rio de Janeiro. Se existem pessoas que têm que ser presas e indiciadas por “formação de quadrilha” é o próprio governador Sergio Cabral e também o prefeito Eduardo Paes. Repudiamos também qualquer tentativa por parte de partidos de esquerda de se colocaram lado a lado com a repressão do Estado capitalista. Não deve ser papel do movimento operário organizado qualquer tipo de colaboração com a polícia do Estado burguês, mas sim se unir contra toda e qualquer tentativa de repressão, violência, prisão, processo judicial e tentativa de criminalizar movimentos, por parte da burguesia e de sua polícia.

Sem programa, sem política, sem partido: rebeldes sem causa

Apesar de rechaçarmos a repressão sobre o movimento dos Black Blocss não podemos deixar de discutir a natureza de sua política, ou melhor, da falta de uma política.

Os Black Blocs se reivindicam do legado do anarquismo e tentam fazer parte de um mesmo movimento existente na Europa e Estados Unidos. Não distribuem manifestos, nas suas páginas na internet não fazem política, apenas estão presentes nas manifestações e estão prontos a revidar a violência policial. Não há organização e se relacionam pelo espaço nas redes sociais. Aliás, foi esse mesmo espaço que permitiu a ação policial repressiva contra os responsáveis da página do Black Blocs Rio. Mas, para entender o movimento é melhor dar a palavra a um dos seus membros.

Em entrevista à revista Carta Capital, em agosto passado, um militante do Black Blocs de pseudônimo Roberto deu o seguinte depoimento:

“O Black Blocs foi uma estratégia nascida em seio anarquista. Portanto, o que nos motiva é uma insatisfação com o sistema político e econômico em que vivemos. Para mim, as duas coisas são indissociáveis e têm problemas com raízes muito mais profundas do que partido X ou partido Y...”

Respondendo a pergunta por que resolveu fazer parte dos Black Blocs, Roberto dá a seguinte explicação:

“Decidi ir porque considero a ação direta uma estratégia tão importante quanto a não-direta. Nossa sociedade vive permeada por símbolos, e saber usá-los é essencial em qualquer demanda, seja ela política ou cultural. Participar de um Black Blocs é fazer uso desses símbolos para quebrar pré-conceitos e condicionamentos. Não só do alvo atacado, mas até da própria ideia de vandalismo.

A sociedade tende a considerar a depredação como algo “errado” por natureza. Mas, se nós sabemos e admitimos que os alvos atacados, em sua maioria agências bancárias até o momento, não foram realmente prejudicados – ou seja, os danos financeiros são irrisórios – qual é o real dano de uma estratégia Black Blocs? Por que deveria ser considerada errada a priori?

Não há violência no Black Blocs. Há performance”.

Roberto conclui afirmando a tática dos Black Blocs:

“Não me sinto representado por nenhum partido político. Veja que a conotação de “representação” aqui é outra. Não me sinto representado por partidos porque não sou a favor de uma democracia representativa, mas sim de uma democracia direta. A forma como os partidos políticos estão configurados atualmente serve apenas dentro da lógica da democracia representativa...”

“As ações diretas não invalidam o diálogo por vias institucionais. Quando atacamos uma agência bancária, por exemplo, não somos loucos ou ingênuos de acreditar que estamos ajudando a falir um banco. Mas nós estamos, sim, ajudando a tornar evidente o clima de instabilidade política e a insanidade da nossa sociedade capitalista.

As táticas dos Black Blocss são uma demonstração do poder que já existe nas mãos da população, e esse poder é normalmente desconsiderado pela simples existência das chamadas “vias institucionais”. Quando atuamos com ação direta, queremos também chamar atenção a isso, a essa multiplicidade de caminhos para atender as reivindicações sociais e à ineficiência de se utilizar apenas um, especialmente um que é viciado pelo próprio sistema onde está inserido. Queremos demonstrar que política também se faz com as próprias mãos.

Não queremos afirmar que as ações diretas nas ruas podem trazer mais mudanças que esses processos, mas sim que as ações diretas nas ruas podem trazer mudanças A esses processos. É mais pressão, mais autonomia.”

Tudo isso que foi dito por um militante do Black Blocs, mas expressa um pensamento que pode ser generalizado a todos do Black Blocs e que se resume em uma frase: rebeldes sem causa.

Não existe qualquer programa, proposta política ou qualquer forma de organização. Apenas uma “performance” contra o capitalismo e seus ícones. Nem podemos falar de um renascimento da velha teoria anarquista de Bakunin, Proudhon e de todos os socialistas utópicos do passado. Esse “anarquismo” não tem nada. É uma garrafa vazia, preocupado apenas com o aspecto “formal” e “estético” do protesto, visto como uma coisa em si. E como toda forma precisa de um conteúdo, essa “garrafa vazia” se pode encher com qualquer besteira.

O anarquismo do passado representou uma fase embrionária do movimento operário organizado que se expressou nos diversos socialismos utópicos. O anarquismo foi uma dessas teorias utópicas do alvorecer do socialismo que deixou raízes no proletariado de diversos países, como na Rússia, na Itália, França e mais notadamente na Espanha. Os anarquistas dirigiram nos anos 30, durante a revolução espanhola e na guerra civil, a poderosa central sindical CNT. Mas, exatamente por se abster de fazer política organizada e de combater por uma direção revolucionária, o anarquismo na Espanha, com raras exceções, capitulou vergonhosamente perante a repressão generalizada levada a cabo pelo governo da Frente Popular, governo de colaboração de classes com a burguesia impulsionada pelos stalinistas. O filme do diretor espanhol Vicente Aranda, “As Libertárias” (2004), apesar da sua visível simpatia com a utopia anarquista, nos dá um excelente retrato da incapacidade do anarquismo em dirigir a classe operária quando chega a hora da revolução.

Esse novo anarquismo causou grandes estragos nos movimentos de massas em muitos países atualmente, como no Ocuppy dos Estados Unidos onde a falta de política, de organização e de propostas levaram à desmobilização. O mesmo ocorreu aqui no Brasil nas manifestações de junho onde, por exemplo, a liderança anarquista do Movimento pelo Passe Livre era contra qualquer organização, na linha “sem partido” e que acabou deixando a porta aberta para uma das mais oportunistas manifestações da direita, que alimentada pela mídia explorou o preconceito popular contra os partidos políticos.

Certamente o militante “Roberto” não inventou a teoria da “democracia direta” versus “democracia representativa”. Provavelmente é compartilhada pelo movimento dos Black Blocs. É ingenuidade, o mínimo que podemos dizer, acreditar que uma verdadeira democracia seja a “democracia direta”, coisa que ele não diz o que é e que nem sabe como deve ser. Opor democracia direta versus democracia representativa é tolice. O que podemos vagamente supor que está se falando da democracia parlamentar burguesa. Neste caso, é preciso dizer que a democracia burguesa, uma das formas de regime democrático burguês, é na realidade uma fachada para a existência de um Estado baseado no antagonismo de classe, ou seja, um instrumento de exploração e opressão do capitalismo. Mesmo sob a forma “democrática”, é a ditadura da burguesia, um Estado onde a burguesia “dita” as leis para o sistema político, a vida econômica e social. O povo em geral não tem como morrer de amores por essa democracia burguesa até mesmo porque ela escapa totalmente ao controle dos eleitores. Porém, as ilusões com essa “democracia burguesa” é a prática que existe aos olhos das massas. E as ilusões não desaparecem porque um grupo de “vanguarda” vai mostrar à população o seu verdadeiro caráter. É nas assembleias, nos piquetes de greve, nos comitês de luta que os trabalhadores e a população em geral podem experimentar uma outra democracia, uma democracia que cede lugar à maioria de trabalhadores oprimidos pelo capitalismo.

Não se pode colocar um milhão de pessoas numa sala e nem tampouco fazer uma assembleia com milhões de pessoas na rua. Uma “democracia direta” desse nível só pode abrir caminho para a manipulação de massa e não para uma efetiva decisão que favoreça a maioria. É pavimentar a via para a ação dos demagogos. O baixista da antiga banda Pink Floyd, Roger Waters, na sua ópera-rock “The Wall” (o Muro), mostrou como a música pop facilita a manipulação de massas, e como o fascismo, a reação da direita, se alimenta dessa mesma manipulação. Não somos contra a música pop, mas nos opomos a toda forma de manipulação de massa, porque é sempre uma manipulação a serviço da burguesia que controla a mídia de massas e sempre será em benefício dos interesses de uma minoria.

Toda verdadeira democracia pressupõe a existência do sufrágio universal, que é uma das conquistas da humanidade desde a Antiguidade Clássica. Um homem, um voto. Esse é um princípio simples, mas que não existe no Brasil hoje.

No Brasil os eleitores de um estado menos populoso têm o mesmo peso eleitoral que um Estado como o de São Paulo, muito mais populoso. A “demos”, palavra grega que significa a assembleia dos comuns, dos cidadãos que votam, pressupõe a elegibilidade e o mandato.

O problema é que na democracia burguesa se vota a cada quadro anos ou mais em um representante, que acaba fazendo o que quer e costuma, em geral, dar as costas ao povo que o elegeu. Essa é a prática corrente hoje na democracia brasileira.

Agora, numa verdadeira democracia que dá o poder aos do povo, significa eleger e revogar o mandato de acordo com a maioria. Significa também que a representação política deve ser remunerada no máximo com um valor do salário de um trabalhador especializado e não como é hoje onde deputados e senadores recebem salários de mais de 20 mil reais e muitas regalias.

Entendemos a revolta dos jovens com essa “democracia”, como se expressam os jovens do movimento dos Black Blocss. Mas não se justifica um rechaço da democracia representativa em geral. Fazendo isso só estão facilitando o caminho de todos aqueles que hoje erguem a voz clamando por um golpe militar de tipo fascista. Negar toda a democracia só pavimenta a via da reação burguesa que está louca para proibir e esmagar as organizações do movimento operário e da juventude. O “sem partido”, “sem política” dos novos anarquistas em nada ajudou o espetacular movimento de massas eclodido nas jornadas de junho e julho.

A tática dos Black Blocs

O marxismo é a expressão consciente de um processo social inconsciente. Ele nos ensina que a história da humanidade é a história da luta de classes. Os ativistas do anarquismo em geral e até mesmo os do Black Blocs podem entender este princípio elementar que é a existência da luta de classes, mas não entendem seus desdobramentos políticos, que se resume no fato de que “a emancipação dos trabalhadores é obra dos próprios trabalhadores” (Marx).

Toda luta conjunta dos trabalhadores que ultrapassa os limites imediatos e corporativistas coloca os problemas da forma de organização da luta, problemas que contém o germe do desafio ao poder capitalista. Os piquetes de greve, as comissões de fábrica, as assembleias de trabalhadores, as amplas manifestações de massas tendem a colocar as formas de organização para a luta. O que implica em uma tendência universal do proletariado a se organizar em comitês e conselhos. É uma tendência natural que os anarquistas aceitam até certo ponto, mas não vão além, pois implica em aceitar a concepção de que o proletariado para avançar na luta pela impugnação dos poderes da burguesia, precisa se constituir em partido político autônomo, independente da burguesia. A grande divergência com os anarquistas está no fato de que o proletariado necessita de um partido operário de massas, com programa socialista que ajude as amplas massas de trabalhadores a “expulsarem a burguesia do poder político” (Gramsci) e a constituírem um governo socialista dos trabalhadores.

A grande lição das jornadas de junho e julho passado é que sem uma direção revolucionária o movimento de massas fica à deriva e acaba cedendo às pressões da burguesia. Para existir uma direção é preciso que exista uma forma de organização. O proletariado precisa de organização para vencer o poder da burguesia. Esta é a fronteira que separa o marxismo das teorias pequeno burguesas dos socialistas utópicos entre os quais se encontra o anarquismo.

A tática dos Black Blocs consiste na abstenção total: sem organização, sem partido, sem programa. A única coisa que existe é uma tática de “ações exemplares” com caráter “estético” de destruir ícones do capitalismo, bancos, lojas, carros, etc. E tampouco existe qualquer proposta de organização. O “movimento” é uma soma de “singularidades” que é a negação de qualquer democracia, pois certas “singularidades” vão se impor sobre outras “singularidades”. Ou seja, não é um movimento com regras claras onde todos têm os mesmos direitos e deveres. Acabam se dividindo entre os que “mandam” e que se articulam pelas páginas do facebook, e os que “fazem” as ações diretas nas ruas, reproduzindo no movimento a divisão do trabalho existente na sociedade capitalista, contra a qual os Black Blocs dizem combater. Este tipo de fluidez organizativa permite, por exemplo, a espionagem policial, como aconteceu com os infiltrados nas manifestações e agora com a prisão dos líderes do Black Blocs no Rio.

Essa tática de “ações exemplares” não tem nada de novo. Já foi tentada pela esquerda guerrilheira na América Latina e pelos ultra esquerdistas na Europa no final dos anos 60 com as famosas “brigadas vermelhas” na Itália e na Alemanha pelo movimento liderado por Andreas Baader. Todos esses movimentos acabaram de forma trágica, com derrotas, prisão e mortes. Essas táticas em nada ajudam a avançar a consciência e a organização dos jovens e dos trabalhadores. É uma tática velha, pequeno-burguesa, de querer substituir o movimento de massas e os métodos proletários de luta por ações exemplares que acabam engendrando fracassos políticos e desmobilização.

Contra a repressão

A burguesia tenta apartar o cerco aos movimentos de massas hoje no Brasil. A mídia capitalista pressiona o governo federal e os governadores. Diz o ditado espanhol “crie corvos que eles te devorarão os olhos”. O governador Sergio Cabral é um dos corvos criados pela base aliada da coligação do PT com o PMDB. Agora pressionou o PMDB do Rio para aprovar uma lei que proíbe usar máscaras em manifestações. Um pretexto para uma ofensiva contra as manifestações de rua e mais uma tentativa de criminalizar todos os movimentos, pois diante de uma polícia repressiva como não usar máscaras para se proteger das bombas? E os policiais infiltrados? Vão usar crachá de infiltrados?

É necessário rechaçar estas políticas como antidemocráticas. É necessário combater e denunciar a prisão dos Black Blocs, pois é apenas um começo para um processo de repressão sobre os trabalhadores, à juventude e suas organizações.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Haitianos sofrem racismo no Brasil




O Haiti foi o primeiro país a ser comandado por pessoas negras e a se livrar dos grilões da escravidão. Em 22 de agosto de 1792, quando os haitianos, liderados por Toussaint Louverture, expulsaram as tropas coloniais francesas, no que culminou na independência do país.

A história da Revolução Haitiana (1791-1804) contra o regime de escravidão é espetacular e deveria ser conhecida por todo movimento negro, por todos os povos que lutam por libertação.

Tudo isso fica ofuscado diante da total miséria que vive o país, em grande medida patrocinada pelo imperialismo mundial. Não bastasse a fome, o país foi abalado com um terremoto de proporções catastróficas em 2010 e, posteriormente, foi ocupado por forças de repressão da ONU, a saber, Minustah, tropa comandada pelo Exército Brasileiro.

Essa organização militar ainda levou a Cólera para o Haiti, que também já vitimou milhares de pessoas no país.

É diante desse cenário que milhares de haitianos buscam sobreviver em outros países, e o Brasil tem sido a saída para muitos deles. Embora seja considerado pelo povo negro brasileiro como país irmão, os haitianos têm sofrido para manter uma vida no Brasil, sendo alvo de racismo, trabalho escravo, etc.

Um cenário de crise econômica faz acirrar os conflitos com imigrantes, como pode ser visto de ponta a ponta na Europa, onde organizações fascistas estão retomando o trabalho de limpeza racial e social dos países.

O mesmo ocorre nos EUA com relação aos árabes, mexicanos, etc. São ações incentivadas pelos governos burgueses, que, para amenizar a crise, têm atacado os imigrantes de toda forma possível, estimulando o nacionalismo fascista.

Alguns casos individuais estão sendo denunciados pelos haitianos, mas a maioria sofre com a falta de emprego, lugar para morar, documentação inexistente, etc. Estão se submetendo a trabalhos sem qualquer direito, enfim, estão vivendo como os negros vivem no Brasil. O racismo contra os haitianos é resultado direto do racismo no país.

Em reportagem do Terra, o haitiano Manasse Marotiere afimou que: “todos os haitianos que chegam aqui dizem que sentem o preconceito (...) Isso é porque somos pretos, porque somos haitianos”.

A luta do povo haitiano é uma luta de todo negro brasileiro. O exército brasileiro tem que sair do Haiti, bem como toda força de repressão estrangeira. Os haitianos que aqui conseguiram chegar devem ser recebidos com toda solidariedade. Todo apoio ao povo que é vítima do estado brasileiro dentro e fora de sua terra natal.

Paz na Colombia.

O presidente colombiano Juan Manuel Santos, reeleito neste domingo (15) para mais um mandato de quatro anos como chefe de Estado e Governo, não é um político de esquerda. Foi ministro da Defesa do governo passado, de Álvaro Uribe, e, como tal, comandou a ofensiva de cerco e aniquilamento às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Sua trajetória política é a de uma liderança das classes dominantes e partidos conservadores.

Mas, no quadro político colombiano, no nível em que a batalha eleitoral se desenvolveu, e considerando o que estava e está em jogo, sua reeleição é um fato positivo para o desenvolvimento da luta política e social no país e para toda a América Latina. Pelo menos, evita a chegada ao poder de forças direitistas extremadas, belicistas, inimigas da paz, forças desestabilizadoras, contrárias à integração soberana e à unidade entre os povos e nações da América Latina e Caribe.

A partir do exercício do mandato presidencial, em face das questões que enfrentou objetivamente, Santos tornou-se, na batalha eleitoral encerrada no domingo, não apenas porta-voz da luta por um “país melhor e mais justo”, como afirmou. Ele compreendeu a emergência, a dimensão e o sentido da luta pela paz. Por isso, como alternativa ao candidato da extrema direita, Óscar Zuluaga, lançado pelo ex-presidente Uribe, mereceu a confiança do eleitorado para seguir uma trajetória de união do povo colombiano, em torno da esperança contra o medo, o ódio e a guerra, que seu adversário representava.

As eleições presidenciais da Colômbia deste ano não foram atos de rotina, o cumprimento formal de obrigações constitucionais. Estavam em jogo não o nome de um candidato ou siglas partidárias, não questões tópicas sobre políticas econômicas, administrativas e sociais, não a capacidade de gestão de cada candidatura, mas se no próximo período presidencial prosseguirá ou não o esforço para conquistar a paz justa em um país dilacerado e traumatizado por um conflito armado interno que já dura meio século.

A bandeira da campanha de Santos foi o processo de paz, que seu governo leva a efeito com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e que pode tomar ainda mais força se forem iniciados os diálogos, como já anunciado, também com o Exército de Libertação Nacional (ELN).

Santos se dirigiu não somente ao conjunto do povo colombiano, mas especificamente às Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia (Farc) e ao Exército de Libertação Nacional (ELN), para dizer-lhes que é possível que esta guerra termine. “Esta é a finalidade, e é necessário chegar a ela com seriedade e decisão, é o começo de uma nova Colômbia com mais liberdade e justiça social, uma Colômbia em paz consigo mesma.”

Foi também por compreender que era a continuidade do processo de paz que estava em jogo, que uma parte importante das forças progressistas e de esquerda colombiana, assim como setores ponderáveis do movimento social, apoiaram a candidatura de Santos no segundo turno, destacadamente a União Patriótica, a Marcha Patriótica, o Partido Progressista, o Opção Cidadã, a presidenta do Polo Democrático, Clara López, e uma parte da bancada desse agrupamento político, a Central Geral do Trabalho, a Central Unitária dos Trabalhadores, a Confederação Geral do Trabalho, a Organização Nacional Indígena, organizações representativas do campesinato, a Federação Colombiana de Educadores, intelectuais e artistas.

Um eventual triunfo do candidato da extrema-direita, senhor de guerra e belicista, Óscar Zuluaga, ponta de lança do ex-presidente Uribe, paralisaria as negociações de paz, já bastante avançadas, entre o governo colombiano e as Farc, e mataria no nascedouro a iniciativa de entabular diálogos na mesma direção com o ELN.

É necessário ainda ressaltar que no exercício do seu primeiro mandato, o presidente Santos compreendeu a importância da coexistência pacífica e da tão ansiada integração latino-americana, sobretudo o fortalecimento da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos, a Celac, para o que contribuiu, com esforços diplomáticos bem orientados. Uma vitória do candidato de Uribe representaria a volta ao comando da política externa de setores alinhados com o imperialismo estadunidense, contrários à unidade latino-americana e incendiários, interessados em fomentar conflitos com países vizinhos governados por forças progressistas, como o Equador e a Venezuela.

Não esqueçamos que foi Uribe que permitiu o aumento das bases militares estadunidenses em território colombiano.

Nada é mais importante hoje na Colômbia do que fortalecer os diálogos de paz e avançar para o fim do conflito armado interno. Ao reeleger Santos, o povo colombiano dá um sinal claro de que quer continuar caminhando nessa direção.




terça-feira, 10 de junho de 2014

Maradona diz que "FIFA é um poder feio"

O ex-internacional argentino Diego Maradona, um dos melhores futebolistas mundiais, considera que a FIFA “está a comer a bola”, em referência aos ganhos que o organismo tem com o Mundial de futebol.


“A FIFA é um poder feio. Porque é que ganha 4 mil milhões de dólares e o campeão ganha 35 milhões, há uma diferença inacreditável. Todos têm de saber isso. A multinacional (FIFA) está a comer a bola”, disse “El Pibe” na estreia de um programa televisivo.

Maradona, que divide o programa da Telesur com o jornalista uruguaio Victor Hugo Morales, dirigiu também críticas ao presidente da FIFA, o suíço Joseph Blatter.

“Se nos vir, tem de se esconder na casa de banho. Bill Gates ganhava dinheiro, mas ele não. Ele leva quatro mil milhões de dólares sem fazer nada”, sublinhou.

A antiga estrela disse ainda que a competição, que tem início na quinta-feira, tem tudo para ser um “grande Mundial”, mas que não pode esquecer-se das pessoas.

“Sou um adepto da Dilma (Rousseff), mas o cimento levou muitas pessoas que não devia ter levado. Se tivessem feito as coisas de uma outra forma já estaríamos em ‘campo’”, justificou, dizendo que as situações, mesmo das greves, o preocupam, mas que o Brasil é um país de futebol e terá um grande acontecimento para o Mundo e para “a querida América do Sul”.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

"O Fascismo ronda o brasil"

Ao votar este ano, reflita se por acaso você estará plantando uma semente do fascismo ou colaborando para extirpá-la
Jean-Marie le Pen, líder da direita francesa, sugeriu deter o surto demográfico na África e estancar o fluxo migratório de africanos rumo à Europa enviando, àquele sofrido continente, “o senhor Ebola”, uma referência diabólica ao vírus mais perigoso que a humanidade conhece. Le Pen fez um convite ao extermínio. O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy propôs a suspensão do Tratado de Schengen, que defende a livre circulação de pessoas entre trinta países europeus. Já a livre circulação do capital não encontra barreiras no mundo… E nas eleições de 25 de maio a extrema-direita europeia aumentou o número de seus representantes no Parlamento Europeu. A queda do Muro de Berlim soterrou as utopias libertárias. A esquerda europeia foi cooptada pelo neoliberalismo e, hoje, frente a crise que abate o Velho Mundo, não há nenhuma força política significativa capaz de apresentar uma saída ao capitalismo. Aqui no Brasil nenhum partido considerado progressista aponta, hoje, um futuro alternativo a esse sistema que só aprofunda, neste pequeno planeta onde nos é dado desfrutar do milagre da vida, a desigualdade social e a exclusão. Caminha-se de novo para o fascismo? Luis Britto García, escritor venezuelano, frisa que uma das características marcantes do fascismo é a estreita cumplicidade entre o grande capital e o Estado. Este só deve intervir na economia, como apregoava Margareth Thatcher, quando se trata de favorecer os mais ricos. Aliás, como fazem Obama e o FMI desde 2008, ao se desencadear a crise financeira que condena ao desemprego, atualmente, 26 milhões de europeus, a maioria jovens. O fascismo nega a luta de classes, mas atua como braço armado da elite. Prova disso foi o golpe militar de 1964 no Brasil. Sua tática consiste em aterrorizar a classe média e induzi-la a trocar a liberdade pela segurança, ansiosa por um “messias” (um exército, um Hitler, um ditador) capaz de salvá-la da ameaça. A classe média adora curtir a ilusão de que é candidata a integrar a elite embora, por enquanto, viaje na classe executiva. Porém, acredita que, em breve, passará à primeira classe… E repudia a possibilidade de viajar na classe econômica. Por isso, ela se sente sumamente incomodada ao ver os aeroportos repletos de pessoas das classes C e D, como ocorre hoje no Brasil, e não suporta esbarrar com o pessoal da periferia nos nobres corredores dos shopping-centers. Enfim, odeia se olhar no espelho… O fascismo é racista. Hitler odiava judeus, comunistas e homossexuais, e defendia a superioridade da “raça ariana”. Mussolini massacrou líbios e abissínios (etíopes), e planejou sacrificar meio milhão de eslavos “bárbaros e inferiores” em favor de cinquenta mil italianos “superiores”… O fascismo se apresenta como progressista. Mussolini, que chegou a trabalhar com Gramsci, se dizia socialista, e o partido de Hitler se chamava Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, mais conhecido como Partido Nazista (de Nationalsozialist). Os fascistas se apropriam de símbolos libertários, como a cruz gamada que, no Oriente, representa a vida e a boa fortuna. No Brasil, militares e adeptos da quartelada de 1964 a denominavam “Revolução”. O fascismo é religioso. Mussolini teve suas tropas abençoadas pelo papa quando enviadas à Segunda Guerra. Pio XII nunca denunciou os crimes de Hitler. Franco, na Espanha, e Pinochet, no Chile, mereceram bênçãos especiais da Igreja Católica. O fascismo é misógino. O líder fascista jamais aparece ao lado de sua mulher. Como dizia Hitler, às mulheres fica reservado a tríade Kirche, Kuche e Kinder (igreja, cozinha e criança). O fascismo é anti-intelectual. Odeia a cultura. “Quando ouço falar de cultura, saco a pistola”, dizia Goering, braço direito de Hitler. Quase todas as vanguardas culturais do século XX foram progressistas: expressionismo, dadaísmo, surrealismo, construtivismo, cubismo, existencialismo. Os fascistas as consideravam “arte degenerada”. O fascismo não cria, recicla. Só se fixa no passado, um passado imaginário, idílico, como as “viúvas” da ditadura do Brasil, que se queixam das manifestações e greves, e exalam nostalgia pelo tempo dos militares, quando “havia ordem e progresso”. Sim, havia a paz dos cemitérios… assegurada pela férrea censura, que impedia a opinião pública de saber o que de fato ocorria no país. O fascismo é necrófilo. Assassinou Vladimir Herzog e frei Tito de Alencar Lima; encarcerou Gramsci e madre Maurina Borges; repudiou Picasso e os teatros Arena e Oficina; fuzilou García Lorca, Victor Jara, Marighella e Lamarca; e fez desaparecer Walter Benjamin e Tenório Júnior. Ao votar este ano, reflita se por acaso você estará plantando uma semente do fascismo ou colaborando para extirpá-la. Brasil de Fato

Se a direita vencer no Brasil?

E se a direita ganhar? Engana-se quem imagina apenas uma reprise do que foram os tempos de FHC. Para entender o que pode vir por aí, é melhor pensar no Tea Party estadunidense, no uribismo colombiano, na direita ucraniana
O Brasil enfrenta, nas eleições presidenciais deste ano, o risco de um brutal retrocesso político, com o eventual retorno das forças de direita – representadas, principalmente, pelo candidato tucano Aécio Neves – ao governo federal. Nesse caso, teremos uma guinada rumo a um país mais desigual, mais autoritário, mais conservador. Engana-se quem imagina apenas uma reprise do que foram os tempos de FHC. Para entender o que pode vir por aí, é melhor pensar no Tea Party estadunidense, no uribismo colombiano, na direita ucraniana. Leia mais: O esquerdista fanático e o direitista visceral: dois perfeitos idiotas Limitando este exercício de imaginação apenas à política externa, é aposta certa supor que uma das primeiras medidas de um governo Aécio seria a expulsão dos profissionais cubanos engajados no programa Mais Médicos. Também imediata seria a adesão do Brasil a um acordo do Mercosul com a União Europeia nos termos da finada Alca, cujas “viúvas” – também conhecidas como o Partido dos Diplomatas Aposentados – recuperarão o comando do Itamaraty, ávidas por agradar aos seus verdadeiros senhores, as elites e o governo dos Estados Unidos. O Mercosul, se sobreviver, voltará a ser apenas um campo comercial, destituído do projeto político de uma integração mais profunda. A Unasul e a CELAC, esvaziadas, se tornarão, sem a liderança do Brasil, siglas irrelevantes, enquanto a moribunda OEA – o Ministério das Colônias, na célebre definição de Fidel Castro – ganhará um novo sopro de vida. Quanto ao Brics, articulação central no combate ao domínio unipolar do planeta pelo império estadunidense, sofrerá um baque, com a deserção (oficializada ou não) do seu “B” inicial. Golpistas latino-americanos, já assanhados após os triunfos em Honduras e no Paraguai (ações antidemocráticas combatidas com firmeza por Lula e Dilma), ganharão espaço, certos de contar com a omissão ou até o apoio de um governo brasileiro alinhado com os ditames de Washington. Que o diga a performática Maria Corina Machado, líder da atual campanha de desestabilização na Venezuela, recebida com fanfarra pelo governador Geraldo Alckmin e por uma penca de jornalistas tucanos, no programa Roda Viva. Governos e movimentos sociais progressistas, na América Latina e no mundo, perderão um ponto de apoio; as forças das trevas, como o lobby sionista internacional, ganharão um aliado incondicional em Brasília. Isso é apenas uma parte do que está em jogo nas eleições brasileiras. Espantoso é que, no campo da esquerda, tantos pareçam não se dar conta.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

viva el Che

NASCIDO A 14 DE JUNHO DE 1929 NA CIDADE DE ROSARIO, GUEVARA FOI O PRIMEIRO DOS CINCO FILHOS DO CASAL ERNESTO LYNCH E CELIA DE LA SERNA Y LlOSA, SUA MÃE FOI A PRINCIPAL RESPONSAVEL PELA SUA FORMAÇÃO PORQUE, MESMO SENDO CATÓLICA E DE FAMILIAS ABASTADAS, MANTINHA EM CASA UM AMBIENTE DE ESQUERDA E SEMPRE ESTAVA RODEADA POR MULHERES POLITIZADAS...DESDE PEQUENO, ERNESTITO, COMO ERA CHAMADO, SOFRIA ATAQUES DE ASMA E POR ESSA RAZÃO AOS 12 ANOS MUDOU-SE COM A FAMÍLIA PARA AS SERRAS DE CÓRDOBA, ONDE MOROU PERTO DE UMA FAVELA, A DISCRIMINAÇÃO COM OS MAIS POBRES ERA COMUM À CLASSE MÉDIA ARGENTINA, PORÉM CHE NÃO SE IMPORTAVA E FEZ VÀRIAS AMIZADES COM OS FAVELADOS, ESTUDOU GRANDE PARTE DO ENSINO FUNDAMENTAL EM CASA COM SUA MÃE, NA BIBLIOTECA DE SUA CASA, QUE REUNIA CERCA DE 3000 LIVROS, HAVIA OBRAS DE KARL MARX; LENINE E ENGELS, COM OS QUAIS SE FAMILIARIZOU EM SUA ADOLESCÊNCIA...EM 1947 ERNESTO ENTRA NA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE BUENOS AIRES, MOTIVADO EM PRIMEIRO LUGAR POR SUA PRÒPRIA DOENÇA, DESENVOLVENDO LOGO UM ESPEÇIAL INTERESSE PELA LEPRA, EM 1952, REALIZA UMA LONGA JORNADA PELA AMERICA DO SUL COM O MELHOR AMIGO,ALBERTO GRANADO, PERCORRENDO 10.000 KM EM UMA MOTO NORTON 500, APELIDADA DE "LA PODEROSA", OBSERVAM, SE INTERESSAM POR TUDO, ANALISAM A REALIDADE COM O OLHO CRÍTICO E COM O PENSAMENTO PROFUNDO, OS OITO MESES DESSA VIAGEM MARCAM A RUPTURA DE GUEVARA COM OS LAÇOS NACIONALISTAS E DELA ORIGINA UM DIÀRIO, ALIÀS, ESCREVER DIÀRIOS TORNA-SE UM HÀBITO PARA O ARGENTINO, CULTIVADO ATÉ A SUA MORTE...NO PERU, TRABALHOU COM LEPROSOS E RESOLVEU SE TORNAR UM ESPECIALISTA NO TRATAMENTO DA DOENÇA, CHE SAÌU DESSA VIAGEM CHOCADO COM A POBREZA E A INJUSTIÇA SOCIAL QUE ENCONTROU AO LONGO DO CAMINHO E SE IDENTIFICOU COM A LUTA DOS CAMPONESES POR UMA VIDA MELHOR, MAIS TARDE VOLTOU À ARGENTINA ONDE COMPLETOU OS ESTUDOS EM MEDICINA, FOI CONVOCADO PARA O EXÉRCITO, POREM, NO MOMENTO ESTAVA INCOMPATIBILIZADO COM A IDEOLOGIA PERONISTA, NÃO ADMITIA TER DE DEFENDER UM GOVERNO AUTORITÁRIO, PORTANTO, NO DIA DA INSPEÇÃO MÉDICA, TOMOU UM BANHO GELADO ANTES DE SAIR DE CASA E NA HORA DO EXAME TEVE UM ATAQUE DE ASMA, FOI CONSIDERADO INAPTO E DISPENSADO...JÀ ENVOLVIDO COM A POLÍTICA EM 1953, VIAJOU PARA A BOLÍVIA E DEPOIS SEGUIU PARA A GUATEMALA COM SEU AMIGO, RICARDO ROJO, FOI LÀ QUE GUEVARA CONHECEU A SUA FUTURA ESPOSA, A PERUANA HILDA GADEA ACOSTA E TAMBÉM NIÑO LOPEZ, QUE FUTURAMENTE O APRESENTARIA A RAUL CASTRO (IRMÃO DE FIDEL CASTRO) NO MÉXICO...NA GUATEMALA, ARBENZ GUZMÁN, O PRESIDENTE ESQUERDISTA MODERADO, COMANDAVA UMA OUSADA REFORMA AGRÀRIA, PORÈM, OS ESTADOS UNIDOS DA AMERICA, DESCONTENTES COM TAL ACTO QUE TIRARIA TERRAS IMPRODUTIVAS DE SUAS EMPRESAS CONCEDENDO-AS AOS FAMINTOS CAMPONESES, PLANEOU UM GOLPE DE ESTADO BEM SUCEDIDO COLOCANDO NO GOVERNO UMA DITADURA MILITAR MANIPULADA PELO GOVERNO NORTE AMERICANO, CHE FICOU INCONFORMADO COM A FACILIDADE NORTE-AMERICANA DE DOMINAR O PAÌS E COM A APATIA DOS GUATEMALTECOS, A PARTIR DESSE MOMENTO SE CONVENCEU DA NECESSIDADE DE TOMAR A INICIATIVA CONTRA O CRUEL IMPERIALISMO...COM O CLIMA TENSO NA GUATEMALA E PERSEGUIDO PELA DITADURA, CHE FOI PARA O MÉXICO, ALGUNS RELATOS DIZEM QUE CORRIA RISCO DE VIDA NO TERRITÓRIO GUATEMALTECO, MAS ESSA IDA AO MÉXICO JÀ ESTAVA PLANEADA, LÀ LECIONAVA EM UMA UNIVERSIDADE E TRABALHAVA NO HOSPITAL GERAL DA CIDADE DO MÉXICO, ONDE REENCONTROU NIÑO LOPEZ QUE O LEVOU A CONHECER RAUL CASTRO QUE SE ENCONTRAVA REFUGIADO NO MÉXICO APÓS A FRACASSADA REVOLUÇÃO EM CUBA EM 1953, DESTE ENCONTRO TORNOU-SE RAPIDAMENTE AMIGO DE CHE... DEPOIS RAUL APRESENTOU CHE A SEU IRMÃO MAIS VELHO, FIDEL CASTRO, QUE DO MESMO MODO TORNOU-SE AMIGO INSTANTANEAMENTE, TIVERAM A FAMOSA CONVERSA DE UMA NOITE INTEIRA ONDE DEBATERAM SOBRE A POLÍTICA MUNDIAL E NO FINAL ESTAVA ACERTADA A PARTICIPAÇÃO DE CHE NO GRUPO REVOLUCIONÀRIO QUE TENTARIA TOMAR O PODER EM CUBA...A PARTIR DO MOMENTO COMEÇARAM A TREINAR TÁTICAS DE GUERRILHA E OPERAÇÕES DE FUGA E ATAQUE, EM 25 DE NOVEMBRO de 1956 OS REVOLUCIONÀRIOS DESEMBARCAM EM CUBA E SE REFUGIAM NA SIERRA MAESTRA DE ONDE COMANDAM O EXÉRCITO REBELDE NA BEM SUCEDIDA GUERRILHA QUE DERRUBOU O GOVERNO DO DITADOR FULGÊNCIO BATISTA, QUE NO SEU EXILIO PASSOU PELA ILHA DA MADEIRA, DEPOIS DA VITORIA EM 1959 CHE TORNA-SE CIDADÃO CUBANO E VIRA O SEGUNDO HOMEM MAIS PODEROSO DE CUBA, MARXISTA-LENINISTA CONVICTO, É APONTADO POR ESPECIALISTAS COMO O RESPONSAVEL PELA ADESÃO DE FIDEL CASTRO AO BLOCO SOVIÉTICO E PELO CONFRONTO DO NOVO GOVERNO COM OS ESTADOS UNIDOS...CHE GUEVARA QUERIA LEVAR O COMUNISMO A TODA A AMERICA LATINA E ACREDITAVA APAIXONADAMENTE NA NECESSIDADE DO APOIO CUBANO AOS MOVIMENTOS GUERRILHEIROS DA REGIÃO E TAMBÉM DE AFRICA, MAS DA REVOLUÇÃO EM CUNBA ATÉ SUA MORTE, AMARGOU T~RÊS MAL SUCEDIDAS EXPEDIÇÕES GUERRILHEIRAS, A PRIMEIRA NA ARGENTINA EM 1964 QUANDO SEU GRUPO FOI DESCOBERTO E A MAIORIA MORTA OU CAPTURADA, A SEGUNDA FOI UM ANO DEPOIS DE FUGIR DA ARGENTINA, NO ANTIGO CONGO BELGA, MAIS TARDE ZAIRE E ACTUALMENTE REPUBLICA DEMOCRATICA DO CONGO, E POR FIM NA BOLÍVIA ONDE ACABARIA EXECUTADO...SEM BARBA E A BOINA TRADICIONAIS, DISFARÇADO DE ECONOMISTA URUGAIO, CHE GUEVARA ENTROU NA BOLÍVIA EM NOVEMBRO DE 1966, A ELE SE JUNTARAM 50 GUERRILHEIROS CUBANOS, BOLIVIANOS, ARGENTENINOS E PERUANOS, NUMA BASE NUM DESERTO DO SUDESTE DO PAÌS, SEU PLANO ERA TREINAR GUERRILHEIROS DE VÀRIOS PAÌSES PARA COMEÇAR UMA REVOLUÇÃO CONTINENTAL LATINO AMERICANA, MAS FOI CAPTURADO EM 8 DE OUTUBRO DE 1967, PASSOU A NOITE NUMA ESCOLA DE LA HIGUERA, A 50 KM DE VALLEGRANDE E NO DIA SEGUINTE POR ORDEM DO PRESIDENTE DA BOLIVIA, GENERAL RENE BARRIENTOS, FOI EXECUTADO COM NOVE TIROS NUMA SALA DE AULA DA ESCOLA NA ALDEIA DE LA HGUERA NO CENTRO-SUL DO PAÌS, NO DIA SEGUINTE À SUA CAPTURA PELOS RANGERS DO EXÉRCITO BOLIVIANO TREINADOS PELOS ESTADOS UNIDOS DA AMERICA... SUA MORTE NO DIA 9 DE OUTUBRO DE 1967, AOS 39 ANOS, INTERROMPEU O SONHO DE ESTENDER A REVOLUÇÃO CUBANA À AMERICA LATINA, MAS NÃO IMPEDIU QUE SEUS IDEAIS CONTINUASSEM A GOZAR DE GRANDE POPULARIDADE ENTRE AS ESQUERDAS...OS BOATOS QUE CERCARAM A EXECUÇÃO DE CHE GUEVARA LEVANTARAM DÚVIDAS SOBRE A IDENTIDADE DO GUERRILHEIRO, A CONFUSÃO CULMINOU NO DESAPARECIMENTO DOS SEUS RESTOS MORTAIS, ENCONTRADOS APENAS EM 1997, QUANDO O MUNDO RECORDAVA OS TRINTA ANOS DA SUA MORTE, EM UM TERRENO BALDIO JUNTO AO AEROPORTO DE VALLEGRANDE, O CORPO ESTAVA SEM AS MÃOS, AMPUTADAS PARA RECONHECIMENTO POUCOS DIAS DEPOIS DA MORTE E CONTRABANDEADAS PARA CUBA...EM 17 DE OUTUBRO DE 1997, CHE GUEVARA FOI ENTERRADO COM POMBAS NA CIDADE CUBANA DE SANTA CLARA, CIDADE ESTA ONDE LIDEROU UMA BATALHA DECISIVA PARA A DEBBUBADA DO GOVERNO DE FULGÊNCIO BATISTA, COM A PRESENÇA DA FAMÍLIA E DE FIDEL CASTRO E RAUL CASTRO, EMBORA SEUS IDEAIS SEJAM ROMÂNTICOS AOS OLHOS DE UM MUNDO GLOBALIZADO, ELE SE TRANSFORMOU NUM ÍCONE NA HISTÓRIA DAS REVOLUÇÕES DO SÉCULO XX E NUM EXEMPLO DE COERÊNCIA POLÍTICA, SUA MORTE DETERMINOU O NASCIMENTO DE UM MITO, ATÉ HOJE SÍMBOLO DA RESISTÊNCIA PARA OS PAÍSES LATINO-AMERICANOS...LOGO APÓS A SUA EXECUÇÃO, O GOVERNO BOLIVIANO DEIXOU O CORPO EXPOSTO PARA TODA A POPULAÇÃO VER QUE CHE GUEVARA TINHA SIDO EXECUTADO E QUE ISSO SERVIA DE EXEMPLO PARA QUEM TIVESSE IDEIAS DE CONFRONTO COM O GOVERNO, MAS DESSA EXECUÇÃO NASCEU UM MÁRTIR, DE UM MÀRTIR NASCE UM MITO, DE UM MITO NASÇE UMA LENDA E DE UMA LENDA NASCE UM IDOLO.DESCOBERTAS RECENTEMENTE AS FOTOS DA AGONIA DO GUERRILHEIRO ARGENTINO ERNESTO CHE GUEVARA,`ÍCONE MUNDIAL DA ESQUERDA E UM DOS LÍDERES DA REVOLUÇÃO CUBANA, RECOMPO~EM OS SEUS ÚLTIMOS MOMENTOS NO INTERIOR DA BOLÍVIA, NA FOTO MAIS CONHECIDA ATÉ HOJE ELE JÀ ESTÀ MORTO...O MATERIAL CHEGOU EM UM ENVELOPE ANÔNIMO ÀS MÃOS DO ESCRITOR ARGENTINO PACHO O`DONNELL, EX-SECRETÀRIO DA CULTURA ARGENTINA E AUTOR DE UMA CONHECIDA BIOGRAFIA DE CHE... FORAM PUBLICADAS PRIMEIRAMENTE EM FEVEREIRO NO JORNAL ARGENTINO "CLARÍN" E DEPOIS PUBLICADAS NA REVISTA SEMANAL "NOTICIAS" COM UM ENSAIO ASSINADO PELO PRÓPRIO O`DONNELL... "IMAGINO QUEM ME MANDOU AS FOTOS, DISSE O`DONNELL, MAS NÃO POSSO DIZER, ATÉ HOJE EM LA HIGUERA (BOLÍVIA) HÀ MUITO MÊDO DE FALAR SOBRE ISSO" DISSE À FOLHA DE SÃO PAULO, SEGUNDO ELE, AS FOTOS FORAM PUBLICADAS NUM LIVRO DE POUCA CIRCULAÇÃO ESCRITO POR FEDERICO ARANA SERRUDO, QUE ERA EM OUTUBRO DE 1967 CHEFE DA INTELEGÊNCIA MILITAR DO ESTADO-MAIOR BOLÍVIANO... "O TEXTO ERA EM DEFESA DOS MILITARES QUE EXECUTARAM CHE GUEVARA, POR ISSO NÃO TEVE MAIOR REPERCUSSÃO" ...O`DONNELL NÃO SABE SE ESTE MILITAR BOLIVIANO AINDA É VIVO, MAS COMO TODOS OS MILITARES ENVOLVIDOS NA ÉPOCA, DEVE TER HOJE MAIS DE 80 ANOS, QUEM TIROU AS FOTOS, SUSTENTA ELE, FOI O PILOTO DO HELICOPTERO QUE TRANSPORTOU CHE GUEVARA DEPOIS DE CAPTURADO... AO ANALISAR AS FOTOS O`DONNEÇÇ AFIRMA QUE UMA DAS FOTOS, A QUE ELE APARECE LOGO DEPOIS DE RECEBER OS DISPAROS, ACABA COM A CONTROVÉRSIA SOBRE A MORTE DO CHE GUEVARA, E DIZ "ELE NÃO MORREU EM CONFRONTO; ELE FOI ASSASSINADO" E AINDA DIZ MAIS "A FOTO EM QUE CHE OLHA PARA CIMA TEM TODA A SUA MÍSTICA, ELE SABE QUE VAI MORRER, MAS NÃO HÀ RANCOR NEM ÓDIO, HÀ SERENIDADE, ESSA FOTO NÃO DEVE NADA ÀS OUTRAS DUAS QUE CONSTRUÍRAM A IMAGEM DO MITO, A QUE ESTÀ ESPALHADA EM CAMISETAS PELO MUNDO FORA E A DELE MORTO, ESSA JUNTA-SE A ELAS AGORA...OS SEUS CARRASCOS MATARAM-NO FISICAMENTE MAS NÃO O CONSEGUIRAM EXTERMINAR ESPÍRITUALMENTE.... O`DONNELL FEZ DEZENAS DE ENTREVISTAS COM PESSOAS QUE CONHECERAM O GUERRILHEIRO DO POVO, CONTA QUE NA REGIÃO ONDE MORREU, NA BOLÍVIA, QUE ELE VISITOU PARA ESCREVER A BIOGRAFIA DE CHE, HÀ UMA ESPÈCIE DE CULTO CHE GUEVARA, O ESCRITOR ACREDITA QUE O FACTO DE ESSAS FOTOS TEREM FICADO GUARDADAS POR QUASE 40 ANOS DEMONSTRA O QUANTO O PERSONAGEM CHE GUEVARA AINDA ESTÀ PRESENTE...NA ARGENTINA NÃO HOUVE GRANDE REPERCUSSÃO COM A PUBLICAÇÃO DAS FOTOS DA AGONIA DE CHE "AO CONTRÀRIO DO QUE MUITOS PODEM ESPERAR, O CHE AINDA NÃO É UM HEROI NACIONAL NA ARGENTINA, ELE NÃO É ESTUDADO NOS LIVROS DIDÁTICOS, SÓ APARECE NAS CAMPANHAS ELEITORAIS, NAS CAMISETAS DOS JOVENS OU NAS BANDEIRAS DAS CLAQUES DE FUTEBOL, DE RESTO ELE É UM PERSONAGEM ESQUECIDO E POUCO ESTUDADO NO PAÌS" DISSE O DIRECTOR DO PRIMEIRO MUSEU HISTÓRICO DE CHE GUEVARA, DE BUENOS AIRES, ELADIO GONZALEZ...O GRANDE ÍCONE DA REVOLUÇÃO CUBANA NASCEU EM ROSARIO, NO INTERIOR DA ARGENTINA,EM 1928, ERNESTO GUEVARA DE LA SERNA ERA DE FAMÍLIA DE CLASSE MÉDIA ALTA, POUCO ANTES DE SE FORMAR EM MEDICINA, LARGOU TUDO PARA FAZER UMA VIAGEM EM MOTOCICLETA POR TODA A ARGENTINA, MOROU EM VÀRIOS PAÌSES DA AMERICA LATINA ATÈ QUE NA CIDADE DO MÉXICO CONHEÇEU OS IRMÃOS CUBANOS RAUL E FIDEL CASTRO, JUNTA-SE A ELES E EM 1956 DESEMBARCA EM CUBA, CHE TRANSFORMA-SE EM UM DOS COMANDANTES DO EXÈRCITO REVOLUCIONÀRIO CUBANO, QUE TOMA O PODER EM JANEIRO DE 1959, AO DERROTAR AS FORÇAS DO DITADOR FULGÊNCIO BATISTA, QUE ERA LACAIO DO GOVERNO DOS ESTADOS UNIDOS, COMANDA AS PRIMEIRAS EXECUÇÕES DO REGIME, FIDEL O NOMEIA PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL DE CUBA E DEPOIS O NOMEIA MINISTRO DA INDUSTRIA...DEPOIS DE CONHECER VÀRIOS LÍDERES MUNDIAIS, DISCURSAR NA ONU E APROXIMAR O SEU PAÌS (CUBA) DO BLOCO DA EUROPA DE LESTE, ELE RENUNCIA A SEU CARGO NO FINAL DE 1964 E DECIDE PROMOVER A REVOLUÇÃO COMO GUERRILHEIRO EM ANGOLA E CONGO, E DEPOIS, EM 1966 PARTE PARA A BOLÍVIA, LÀ É EMBOSCADO PELO EXÉRCITO BOLIVIANO E RECONHECIDO POR UM MEMBRO DA CIA DE ORIGEM CUBANA, È EXECUTADO EM 9 DE OUTUBRO DE 1967 AOS 39 ANOS... ADEUS CHE, VIVA CHE *****

A Corrosão do Capitalismo


Marx já adiantava que o capitalismo tende a destruir a si mesmo em seu processo de expansão e acumulação. Não certamente de uma vez mas aos poucos. Aos poucos, como? De crise em crise de superprodução. Ocasiões em que o excesso de bens e serviço colocados no mercado não realiza suas vendas diante da demanda corrente.

Os preços caiem diante dos estoques amontoados. As empresas perdem receitas, os lucros são derrubados, trabalhadores são dispensados e as empresas reduzem mais que proporcionalmente a produção. Movimento cíclico: superprodução, queda de receitas e redução da produção de um lado,  desemprego, redução da renda e da demanda de outro.

Keynes percebeu a armadilha e para salvar o funcionamento do sistema pregava o contrário, o movimento anticíclico. Nas crises, o lado da produção na balança econômica deveria ser reduzido sim para se readaptar às mudanças, mas não tanto a ponto de comprometer drasticamente o nível de emprego. Novos investimentos deveriam ser incentivados. O outro lado da balança, a demanda, seria afetado pela queda na produção, mas seria ainda capaz de sustentar o período de ajustamento da produção. As novas oportunidades abertas com os novos investimentos reestruturariam a demanda.

Se a produção projeta sua demanda, esta segura ou não a produção a depender dos empregos criados e dos salários pagos. É claro que a produção não segura a demanda por altruísmo, coisa que não existe no capitalismo, mas ela deveria segurar a demanda sim para sua própria segurança e até mesmo sobrevivência no mercado. Henry Ford foi outro que disso também se apercebeu e pagava na época salários melhores que o mercado a seus trabalhadores para que eles também pudessem ajudar na sustentação da produção em geral e de seus automóveis pelas eventuais aquisições.

A extensão das relações capitalistas levou ao sistema oligopolista onde poucos grandes grupos econômicos dominam a produção no mercado. E também a demanda agregada, o chamado oligopsônio. Hoje em dia a produção mundial, globalizada, está nas mãos desses grupos que sustentam a produção e a demanda. 

Nós, pobres consumidores, vivemos das oportunidade de emprego e trabalho gerados majoritariamente por eles e com as rendas e salários obtidos sustentamos com nossas compras mensais parte da produção global. A outra parte esses mesmos grupos sustentam por meio das compras realizadas entre eles.

Os bancos entram nesse complexo de relações entrecruzadas principalmente pela via do financiamento à produção (adiantamento de recursos), pelo crédito (aos consumidores) e por toda a malha de instrumentos de cobertura financeira no mercado (garantias, participações, operações em moedas estrangeiras, etc.). Em poucas palavras, os bancos estão em praticamente todas as operações de  compra e venda no mercado, de uma forma ou de outra.

A crise financeira  de 2008 desencadeada nos Estados Unidos tomou forma pela venda de títulos imobiliários sem sustentação em garantias reais, os sub-primes, comprados por bancos para suprir de recursos o mercado de imóveis. Esses títulos transacionados com os bancos e entre os bancos serviam de moeda financeira a muitas outras transações e operações que necessitavam de cobertura ou garantias reais. 

Resultado, a bolha estourou, os consumidores não conseguiram pagar suas aquisições de imóveis e os papeis imobiliários viraram simplesmente papeis, sem valor e quaisquer chances de resgate. Muitos bancos ao redor do mundo ou faliram ou se seguraram às custas do socorro dos bancos centrais ou da ajuda dos Tesouros dos países pela emissão de títulos públicos a prazos a perder de vista.

Há muito que os bancos tomam conta do mercado através de seus poderes de emitir dinheiro pela reprodução de crédito/abertura de contas, e de financiar a produção e o consumo (das famílias, das empresas e do governo – aqui pela compra de títulos públicos). Dos males o menor, o capitalismo antes de entrar numa grande crise ainda conta por último com os bancos que vão fazer de tudo para não ajudar a matar a sua galinha de ovos de ouro.

O conservadorismo econômico começa a se dar conta, pelo menos no discurso, da visão anticíclica de Keynes. O presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, o banco central inglês, declarou semana passada numa conferência em Londres,  que o capitalismo pode soçobrar se não agir com ética. Ética no capitalismo? Qual? Como?

Advertiu ele que o capitalismo corre o risco de destruir a si mesmo se os banqueiros não se convencerem que são suas obrigações ajudarem na criação de uma sociedade mais justa. Segundo ele, os banqueiros entraram num jogo de perde-e-ganha no qual a ética é duvidosa e do qual aqueles que perderam por não atingir os altos  padrões profissionais acabam alijados no ostracismo.

Declarou que começava a tomar forma uma impressão crescente de que o contrato social básico no centro do capitalismo estava sendo destruído e gerando desigualdade. “Não podemos simplesmente ter garantido o sistema capitalista na produção das muitas e várias soluções. A prosperidade requer não só investimento no capital econômico, mas também no capital social”.

Para ele o radicalismo do mercado financeiro face a uma regulação frágil vem erodindo o capitalismo, enquanto escândalos igualmente destroem a confiança na saúde financeira do sistema. Este fundamentalismo de mercado pode devorar o capital social. A reação começa quando indivíduos e empresas passam a ter o senso de suas responsabilidades no sistema.

É um sinal promissor que um representante em alta posição no circuito financeiro fale para seus interlocutores dessa forma. O capitalismo há longo tempo segue a trilha da selvageria econômica e financeira a troco de crises que abatem mais sobre as pessoas e famílias. Um banqueiro admitindo isso abre espaço pelo menos para negociações menos radicais entre devedores e credores

Para tornar o sistema financeiro mais regulado e menos predador e corrupto, ameaçando inclusive a saúde dele mesmo, é um grande passo. Mas é preciso combinar também com as empresas e os governos, como diria Garrincha, para que as coisas de fato em conjunto possam tomar um rumo diferente. Um novo pacto mundial seria um recomeço honesto onde haja espaço tanto para as empresas e os bancos, mas principalmente para as pessoas e famílias.

Afinal, os bancos e as empresas precisam das pessoas e famílias e essas daqueles. A selvageria das relações capitalistas só leva à destruição, desemprego, pobreza e desigualdades sem limites. O limite ainda poderá ser o bom senso?

Carlos Marighella

Um sujeito que viveu a repressão dos regimes autoritários. Essa poderia ser a primeira impressão constatada ao visualizarmos a trajetória do baiano Carlos Marighella. Nascido em 1911, na cidade de Salvador, esse famoso militante político teve a oportunidade de vivenciar o autoritarismo do Estado Novo (1937-1945) e, décadas mais tarde, assistir ao golpe que instalou a ditadura militar no Brasil no ano de 1964.

Sua trajetória política aconteceu nos primeiros anos do governo provisório de Getúlio Vargas, quando participou de algumas manifestações que exigiam a reorganização do cenário político nacional com a elaboração de uma nova Carta Constituinte. Durante os protestos acabou sendo preso pelas autoridades e, com isso, começou a enxergar com importância maior a sua atuação política mediante os problemas sociais e econômicos vividos naquele período.

No ano de 1936, decidiu abandonar seus estudos de engenharia Civil e se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), que na época era dirigido por figuras históricas como Astrojildo Pereira e Luís Carlos Prestes. Sua chegada ao partido se deu em uma época bastante complicada, pois, um ano antes, os dirigentes comunistas haviam tentado derrubar Getúlio Vargas com a deflagração da Intentona Comunista. Mais uma vez, Marighella fora alvo das forças repressoras do Estado.

Já na primeira detenção conheceu os métodos escusos com que as  forças policiais da época agiam contra os inimigos do regime. Carlos foi brutalmente espancado e sofreu varias torturas ao longo de um mês. Saindo da cadeia um ano depois, prosseguiu em sua luta política buscando aumentar os militantes do ideário comunista. Em 1939, foi mais uma vez preso e torturado, sofreu novas sessões de tortura para que delatasse as atividades de seu partido.

Somente com a queda do Estado Novo, em 1945, Carlos Marighella saiu da prisão para viver uma nova fase de sua luta política. Naquele ano, venceu as eleições como um dos mais bem votados deputados federais da época. No entanto, seguindo instruções políticas do governo norte-americano, o governo Dutra realizou a cassação de todos os políticos que estivessem filiados a partidos de inspiração comunista.

Dessa forma, impedido de atuar pelos meios legais, Marighella continuou a buscar apoio político entre trabalhadores e estudantes. No ano de 1959, o triunfo da Revolução Cubana e a falta de uma ação transformadora pelo PCB levaram o apaixonado idealista a questionar sobre a possibilidade de uma revolução popular armada capaz de transformar o cenário político nacional. Com o estouro da Ditadura Militar, foi mais uma vez perseguido pelas forças policias.

Já no primeiro ano da ditadura, entrou em confronto direto com o regime ao trocar tiros com a polícia e bradar a favor do comunismo. Novamente encarcerado, aproveitou o tempo de reclusão para produzir “Por que resisti à prisão”, obra onde explicava a necessidade de se organizar um movimento armado em oposição aos sombrios tempos da repressão.

No ano de 1967, mais uma vez liberto, resolveu romper com o marasmo dos comunistas para formar com outros companheiros dissidentes a Ação Libertadora Nacional. Essa organização clandestina teria como principal objetivo treinar grupos guerrilheiros com o objetivo de formar um expressivo movimento armado urbano. Após treinar os guerrilheiros na zona rural, o segundo objetivo era arrecadar meio milhão de dólares com a realização de uma série de assaltos a banco na cidade de São Paulo.

Na primeira ação, conseguiu pilhar 10 mil dólares de uma instituição bancária da época. Contudo, a penosa missão de manter esse grupo sob a onipresente repressão militar foi se tornando cada vez mais difícil, principalmente, pela falta de preparo de seus comandados. No ano de 1968, um militante capturado por policias confirmou Carlos Marighella com um dos articuladores daquela onda de assaltos.

Logo de imediato, os meios de comunicação subservientes aos interesses do regime militar distorceram toda a trajetória de lutas de Marighella, descrevendo-o como um “líder terrorista”. No final de 1968, o cerco em torno de Carlos piorou com a publicação do AI-5. No ano seguinte, o seqüestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick reforçou a perseguição sobre todos aqueles que representassem uma ameaça à ordem imposta.

No dia 4 de novembro de 1969, em uma ação planejada pela Delegacia de Ordem Política e Social, Carlos Marighella foi morto na cidade de São Paulo, aos 57 anos de idade. Sua morte representou um dos mais incisivos golpes contra os setores radicas da esquerda nacional e contribuiu para que a Ditadura Militar alcançasse sua própria estabilidade. Somente com a crise do regime, no final da década de 1970, a imagem desse ativista foi redimida como um dos símbolos contra a repressão política no Brasil.