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segunda-feira, 16 de junho de 2014

Haitianos sofrem racismo no Brasil




O Haiti foi o primeiro país a ser comandado por pessoas negras e a se livrar dos grilões da escravidão. Em 22 de agosto de 1792, quando os haitianos, liderados por Toussaint Louverture, expulsaram as tropas coloniais francesas, no que culminou na independência do país.

A história da Revolução Haitiana (1791-1804) contra o regime de escravidão é espetacular e deveria ser conhecida por todo movimento negro, por todos os povos que lutam por libertação.

Tudo isso fica ofuscado diante da total miséria que vive o país, em grande medida patrocinada pelo imperialismo mundial. Não bastasse a fome, o país foi abalado com um terremoto de proporções catastróficas em 2010 e, posteriormente, foi ocupado por forças de repressão da ONU, a saber, Minustah, tropa comandada pelo Exército Brasileiro.

Essa organização militar ainda levou a Cólera para o Haiti, que também já vitimou milhares de pessoas no país.

É diante desse cenário que milhares de haitianos buscam sobreviver em outros países, e o Brasil tem sido a saída para muitos deles. Embora seja considerado pelo povo negro brasileiro como país irmão, os haitianos têm sofrido para manter uma vida no Brasil, sendo alvo de racismo, trabalho escravo, etc.

Um cenário de crise econômica faz acirrar os conflitos com imigrantes, como pode ser visto de ponta a ponta na Europa, onde organizações fascistas estão retomando o trabalho de limpeza racial e social dos países.

O mesmo ocorre nos EUA com relação aos árabes, mexicanos, etc. São ações incentivadas pelos governos burgueses, que, para amenizar a crise, têm atacado os imigrantes de toda forma possível, estimulando o nacionalismo fascista.

Alguns casos individuais estão sendo denunciados pelos haitianos, mas a maioria sofre com a falta de emprego, lugar para morar, documentação inexistente, etc. Estão se submetendo a trabalhos sem qualquer direito, enfim, estão vivendo como os negros vivem no Brasil. O racismo contra os haitianos é resultado direto do racismo no país.

Em reportagem do Terra, o haitiano Manasse Marotiere afimou que: “todos os haitianos que chegam aqui dizem que sentem o preconceito (...) Isso é porque somos pretos, porque somos haitianos”.

A luta do povo haitiano é uma luta de todo negro brasileiro. O exército brasileiro tem que sair do Haiti, bem como toda força de repressão estrangeira. Os haitianos que aqui conseguiram chegar devem ser recebidos com toda solidariedade. Todo apoio ao povo que é vítima do estado brasileiro dentro e fora de sua terra natal.

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