Translate

quarta-feira, 18 de março de 2015

Uma Breve homenagem ao Movimento RASH

Em 1958, na Jamaica, artistas começam a misturar a música negra americana com os estilos tradicionais da ilha. Essa mistura de ritmos foi evoluindo até se converter no que se denominou SKA. Esse ritmo tinha duas características principais: a forma energética como era dançada e os RUDE BOYS , que não eram bem aceitos perante a sociedade por suas ligações com o mundo marginal, pelas confrontações com a polícia, e pelo consumo excessivo de maconha. O rude boy pode ser considerado o primitivo skinhead pelo seu modo requintado de vestir-se, imitando seus ídolos de filmes de gangster.

Em 1962 a Jamaica consegue independência da Grã-Bretanha à que se segue uma etapa de festa na qual se desenvolve o ROCKSTEADY e posteriormente o REGGAE. Também durante esse período, muitos jovens jamaicanos emigraram para a Grã-Bretanha e com eles a sua música. Estes rude boys juntaram-se aos MODS, que eram jovens amantes da música negra. Esses últimos iriam sofrer a era do hippismo que percorreu a classe média no final da década de 60. Dessa forma os mods desapareceram como movimento juvenil massivo na década de 70, porém os mais fiéis seguidores da música negra e principalmente os que pertenciam a famílias de classe operária rejeitaram essa onda, e passaram a serem denominados HARD MODS.

Rude boys e hard mods misturavam-se nas ruas, pubs e festas e como fusão de ambas as culturas surgiram os SKINHEADS. Devido ao sucesso da Inglaterra no mundial de futebol de 1966, muitos jovens começaram a ir aos estádios. Logo nasceram as torcidas e explodiu a violência entre elas. Nas bancadas viam-se cabeças raspadas brancas e negras juntas, pois os skinheads participaram do nascimento dos HOOLIGANS.

Na parte musical, o SKINHEAD REGGAE, como é conhecido o reggae original muito ligado aos skinheads, começa a tocar com força nas paradas inglesas. Porém, por volta de 1971, o reggae segue caminhos que não interessa muito aos skinheads, que então concentram-se no ska.

O movimento skinhead que tomara força (devido em parte à sua oposição aos hippies, que consideravam filhinhos de papai da classe média e afastados da realidade social) foi enfraquecendo junto ao ska e outras músicas jamaicanas. Em meados dos anos 70 o movimento apenas se encontrava em âmbitos reduzidos. Nessa época, enquanto o desemprego e a desesperança cresciam, surgia um novo estilo de música, o PUNK ROCK, que infectou as ruas e criou um estilo de vida próprio, nasceram os PUNKS. Os skinheads logo se interessaram por este novo estilo musical e fizeram-se os mais fiéis seguidores junto dos punks. Os skins mudaram o seu visual fazendo-o mais rebelde e provocativo (nascem os BOOTBOYS) afastando-se das suas origens jamaicanas. Pode-se dizer que houve dois tipos de skins, os do "spirit of 69" e os da era punk.

O Punk logo perdeu aquele espírito de rebelião que teve ao nascer. Porém, em 77 apareceu uma nova geração de grupos como SHAM 69, ANGELIC UPSTARTS, BLITZ, CRASS, INFA RIOT, etc. O então jornalista de "Sounds" Garry Bushell foi praticamente o único a escrever sobre esta música, conhecida nas ruas como street punk ou reality punk, e denominou-a OI! inspirado no tema Oi! Oi! Oi! do COCKNEY REJECTS. Pela primeira vez dava-se oportunidade aos skins para fazerem sua própria música.

A tentativa dos punks e também dos skins de provocarem à sociedade levou a erros como o de "enfeitarem-se" com símbolos nazistas, embora fosse somente para provocar ou ser o mais "mau". Os partidos fascistas ingleses como o BNP ou National Front aproveitando este exibicionismo punk e skin, e espalhando confusas mensagens nacional-socialistas para os operários, conseguem desligar grande parte de skins e punks (esses últimos em menor medida) e assimilá-los na ultradireita. Aliás, estes partidos eram os únicos a ver os skinheads como indivíduos com valor e pareciam dar-lhes um futuro, pois a sociedade via os skinheads como corja de classe operária sem valor e que só causavam danos à sociedade. A National Front consegue que as suas juventudes fascistas se vejam refletidas na estética skin (cabelo curto, botas,...) e acabam adotando-a em 1980-1981 (também havia nazi-punks, mas foram em menor número, pois a sua imagem não ficava bem com as suas idéias). Tudo isso foi apoiado pelos meios de comunicação que se importavam mais com o sensacionalismo do que com a veracidade das notícias.

Muitos skins opuseram-se a isto, tendo idéias opostas aos nazistas, nascendo assim os REDSKINS. Ao passar do tempo, eram mais os nazistas a se disfarçarem de skins, em boa parte devido aos meios de comunicação que espalharam esta falsa imagem dos skins por todo o mundo. Havia uma pequena cena rock nazista capitaneada por Skrewdriver. A música que faziam era basicamente a mesma que Oi!, mas as bandas preferiam frisar a diferença com o Punk em geral empregando o termo R.A.C. (Rock Against Comunism = Rock Contra o Comunismo).

Criaram-se então, associações para espalhar e divulgar a autêntica imagem skinhead. Em 1988 nasceu S.H.A.R.P. (Skin Heads Against Racial Prejudice - Cabeças Raspadas Contra os Preconceitos Raciais) promovida por alguns grupos anti-racistas de skinheads norte-americanos. S.H.A.R.P. é uma organização apolítica com os únicos princípios de anti-racismo e antifascismo. A finais de 1993 como conseqüência de um incidente provocado por supostos membros da S.H.A.R.P., cria-se em Nova York o R.A.S.H. (Red & Anarchist Skin Heads) formada por skinheads anarquistas e comunistas, renunciando ao apoliticismo da S.H.A.R.P.

REDSKINS

O movimento redskin nasceu na França, por volta de 1984/1986. Havia, por um lado, uma situação econômica e política extremamente dura, caracterizada por um desemprego massivo, o princípio de políticas neoliberais e a instalação na França de um enorme movimento de extrema direita representado pela Frente Nacional (FN); por outro lado, o aparecimento de um movimento cultural: o alternativo (mistura de punk-rock em francês, de contestação política e de cruzamento de culturas).

Os primeiros redskins franceses não são de forma alguma parte do movimento Skinhead. Nessa época, quase todos os Skinheads da França são fascistas (Boneheads) ou apolíticos. Eles "quebravam" festivais punks, atacavam mendigos nas ruas, implicavam com imigrantes, roubavam putos no metrô, apareciam nas primeiras páginas dos jornais e nos telejornais, desfilavam em manifestações com bandeiras nazistas, etc. Por isso, ao redor dos "Bérurier Noir" cria-se uma espécie de serviço de segurança que se encarrega de proteger os festivais e de impedir os "fachos" de entrar. É o nascimento do primeiro "bando" importante de Redskins; os Red Warriors, e também dos primeiros "caçadores" de fachos parisienses.

Os Red Warriors (entre outros) encarregam-se de fazer mudar o medo de campo. Três anos depois, não existia mais ninguém (pelo menos em Paris) que aparecesse com bandeiras francesas, celtas ou suásticas nas ruas. Numerosos bandos foram formados como os "Lenine Killers", a "Red Action Skinhead" e, em Marselha, os "Massilia Red Army".

Já a cultura deste movimento é variada: ao nível musical, Oi!, punk-alternativo, reggae, mas também psychobilly ou mesmo hip-hop. Pode-se dizer que os Redskins são a "vanguarda" mais decidida no interior do "Alternativo" contra o fascismo e o racismo, tornando a música secundária. O único grupo a deter a unanimidade é, evidentemente, "The Redskins", o grupo de power-soul TROTSKISTA (militantes do SWP, Socialist Workers Party) britânico. Políticamente, na França, alguns são trotskistas de tendência OCI ou LCR, outros PCF, e mais numerosos os de sensibilidade autônoma ou libertária. A SCALP (Section Carrement Anti Le Pen), grupo libertário não-dogmático e ultra-ativista, contribuirá com o essencial para a militância dos Redskins da época.

Finalmente, ao nível do visual, os redskins cultivam uma mistura de elementos retirados dos Skins, Psychos, dos primeiros B-Boys, tudo acrescido de símbolos índios e do folclore proletário. É a partida de um movimento cultural aberto, que não procura diferenciar-se do resto do "underground" da época, mas que exprime um antifascismo visceral e enérgico, na rua e nos concertos.

Com o recuo da presença de fachos na rua, a razão de ser dos Redskins tornou-se quase caduca; o fascismo institucionaliza-se, tenta mostrar-se mais apresentável e em torno dos partidos. Em 1989 é também o fim de não poucas bandas da cena alternativa como "Nuclear Device", "Les Brigades", assim como "Kortatu" e "Bérurier Noir". Alguns Redskins abandonam o movimento e outros começam a (re)descobrir as verdadeiras raízes do movimento Skinhead: o reggae, o rocksteady, o ska, e a mistura cultural inglesa dos anos 60. É o regresso dos "Original Skins". Começa-se também a ouvir falar da S.H.A.R.P. Os Redskins mais ligados a essa cultura tornam-se então Red Skinheads, isto é, Skinheads autênticos (música, visual,...) mas sempre ligados aos valores da esquerda e da extrema-esquerda.

A partir de final dos anos 80, o movimento Redskin nos Estados Unidos, no Estado Espanhol, na Itália, na Alemanha, no México, na Colômbia, e em Québec, desenvolve-se. Nasce daí a R.A.S.H. (Red & Anarchist Skinheads). Ela dá um novo fôlego à cultura Redskin, populariza-a, estrutura-a de uma certa maneira, sem, no entanto, a estereotipar. As diferenças continuam a existir entre os diferentes movimentos nacionais, devido as suas respectivas histórias.

ESTES SÃO OS PONTOS DE UNIDADE DA RASH - INTERNACIONAL (TODAS AS SEÇÕES FILIADAS DEVEM ACEITAR ESTES PONTOS):

I. AUSÊNCIA DE SECTARISMO. Pode unir-se a RASH qualquer pessoa ou organização de esquerda radical que desejar, desde que não seja sectária e esteja disposta a trabalhar com outros grupos. Todas as tendências revolucionárias serão aceitas.

II. CONTRA O RACISMO, A HOMOFOBIA E O MACHISMO. Todos os seres humanos são iguais, e, como tais, dividir-nos com fronteiras e classificações artificiais como raça, sexualidade e gênero é um engano. Lutamos contra todas as formas de opressão.

III. ANTIFASCISMO. Sabemos que os fascista são as tropas de choque que o capitalismo utiliza para defender seus interesses quando a democracia burguesa está impossibilitada de os proteger. O fascismo usa como armas a xenofobia, o racismo, a homofobia e o machismo.

IV. ANTIPOLICIAL. Entendemos que a polícia é a força armada do sistema da propriedade privada e é portanto nossa inimiga de classe, além de ser responsável pela destruição das nossas cenas, prendendo nossos militantes e dando proteção a fascistas e burgueses. Odiamos a polícia e a cooperação com ela.

V. ANTIIMPERIALISMO. A opressão de uma nação por outra faz parte do sistema da exploração capitalista. Defendemos a autodeterminação dos povos e a independência das nações oprimidas.

VI. SOCIALISMO REVOLUCIONÁRIO. Queremos transformar a sociedade capitalista atual numa sociedade sem exploração e sem classes sociais. Um sistema que assegure aos trabalhadores o produto do seu trabalho, a sua liberdade, a sua independência e igualdade política e social.

VII. PODER OPERÁRIO. A libertação só será conquistada através da luta dos próprios trabalhadores pelo controle dos meios de produção, organizada independentemente. O capitalismo deve ser derrubado pela ação da classe operária.

A HISTÓRIA DA RASH DE FORTALEZA - CEARÁ

"EU NÃO ACREDITO NA ORDEM E PROGRESSO!" (GAROTOS PODRES)

A RASH de Fortaleza surgiu após um show da famosa banda de oi! Garotos Podres. Antes disso éramos apenas pessoas que curtiam oi!, punk, etc., que tinham cabeças raspadas e coturnos, que militavam ativamente no movimento sindical e estudantil, mas que eram apenas simpatizantes dos skins.

Uma das bandas que fizeram a abertura desse show foi uma banda formada por carecas nacionalistas. Eles começaram a cantar aquelas músicas ufanistas, exaltando a bandeira nacional com o ridículo lema de Ordem e Progresso. Nós decidimos protestar e defender o internacionalismo proletário: fomos para a frente do palco cantar a Internacional (símbolo da classe operária mundial). Um grupo de anarquistas (e logo depois boa parte do público) começou a vaiá-los também. A banda então começou a xingar os anarquistas e os socialistas.

Depois do show, decidimos não deixar que um bando fascista como aqueles sujassem o nome dos skins (já bem sujo devido a mídia burguesa). Passamos de simpatizantes à militantes ativos dos redskins e fundadores da RASH em Fortaleza.

SESSÕES DA RASH POR TODO O MUNDO:

(Se sua sessão da RASH não está aqui entre em contato com rashfor@bol.com.br)

http://www.rashfor.tk/ (Ceará - Fortaleza)
http://www.geocities.com/CapitolHill/Lobby/3475/ (United - Internacional)
http://usuarios.lycos.es/rashcanarias/ (Ilhas Canárias)
http://www.rapadosunidos.8m.com/ (Costa Rica)
http://www.geocities.com/skinhead_bta/ (Colômbia - Bogotá)
http://www.rashantofagasta.tk/ (Chile - Antofagasta)
http://es.geocities.com/rashunida/ (Portugal - Galiza)
http://www.nodo50.org/resistenciash/ (Espanha - Resitencia)
http://www.nodo50.org/rashmadrid/index.htm (Espanha - Madrid)
http://www.terra.es/personal/jce00000/rash.htm (Espanha - Alcobendas)
http://www.iespana.es/violent/ (Espanha - Astúrias)
http://come.to/skinheads (País Basco)
http://contre.propagande.org/ (França - Paris)
http://www.geocities.com/revolutiontimes/ (Alemanha - revolution times)
http://www.rashankara.org/ (Turquia - Ancara)
http://www.geocities.com/rashmexico/ (México)
http://www.rash.hostmos.ru/ (Rússia)

Nenhum comentário:

Postar um comentário